elem noticias
Notícias

Equipe da UFSC cria bioestimulante para as culturas de alface e chicória

Criar um bioestimulante que garantisse ao agricultor produtividade e renda nas culturas de alface e chicória nos meses mais quentes do ano. Esse foi o desafio do projeto “Ação de um bioestimulante sobre plantas ornamentais e olerícolas” desenvolvido entre os anos de 2023 e 2024 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com apoio da iniciativa privada.

O trabalho contou com a parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu possibilitou a realização de todos os trâmites burocráticos que culminaram com a assinatura dos convênios entre a UFSC e a empresa. A Fapeu realizou todas as compras, organizou a prestação de contas e de todos os trâmites para o êxito material deste projeto”, disse o coordenador do projeto, professor Enio Luiz Pedrotti. O projeto foi financiado pela empresa Wcsat Comercial, empreendimento com sede em Blumenau (SC) e voltado ao desenvolvimento e à comercialização de produtos sustentáveis.

As hortaliças escolhidas para a pesquisa foram a alface e a chicória porque são espécies altamente consumidas em todas as estações do ano, mas que sofrem nos períodos mais quentes do ano, quando as temperaturas ficam acima das ideais para o perfeito crescimento das espécies. Como consequência, elas perdem produtividade, ficam mais suscetíveis a ataques de pragas e são afetadas no aspecto visual para serem expostas nas prateleiras dos varejistas. “A hipótese que estudamos é que este bioestimulante poderia ser um “colaborador” para garantir a produtividade e gerar renda aos produtores que cultivam essas hortaliças no verão”, relatou o professor Enio Pedrotti.

Bioestimulantes são produtos naturais ou produzidos a partir de misturas de produtos naturais e sintéticos que atuam diretamente na melhoria da capacidade de absorção da água e nutrientes pela planta, otimizando e melhorando a fotossíntese. “Estes produtos não são fertilizantes, mas incrementam a produtividade, a resistência a fatores bióticos (como bactérias, algas, protozoários, fungos, plantas e animais) e abióticos (gases atmosféricos, radiação solar, sais minerais e água), a tolerância a déficit hídricos, entre outros benefícios para as plantas”, comparou o professor. “Além disso, os bioestimulantes, de forma geral, propiciam um melhor desempenho das plantas no que tange aos aspectos comerciais, como número e tamanho de folhas por planta, bem como a biomassa fresca e seca produzida”, acrescentou Pedrotti.

 

CHUVAS

 

Os resultados foram positivos, embora prejudicados pelo excesso de chuvas no segundo semestre de 2023. Os ensaios preliminares foram iniciados em março de 2023, quando as mudas foram colocadas em canteiros a céu aberto na área de olericultura da Fazenda Experimental da Ressacada (FER) da UFSC. Em razão da desuniformidade do solo no local foram instalados novos ensaios em agosto de 2023. Porém, o excesso de chuvas no final daquele mês causou o alagamento das áreas e foram perdidos todos os experimentos.

Em setembro, novos ensaios foram realizados, e, novamente, o excesso de chuvas impediu o desenvolvimento adequado das plantas. Em função dessas intempéries, novas experimentos foram montados na Casa de Vegetação do Setor de Plantas Ornamentais da Fazenda da Ressacada e as últimas amostras, colhidas, pesadas e analisadas quimicamente em janeiro de 2024.

Os primeiros resultados indicaram que os bioestimulantes podem criar uma condição favorável para a produção da alface e da chicória. Por melhorarem o desempenho da planta, via de regra, são aplicados menores quantidade de adubos químicos e produtos para combater insetos, fungos e bactérias. “Com isto, aumenta a qualidade do produto consumido e diminuem os impactos no meio ambiente no qual ele foi produzido”, ressaltou o coordenador do trabalho, que envolveu, além do professor Pedrotti, também o engenheiro agrônomo André Junior Ribeiro e quatro bolsistas alunos do curso de Agronomia da UFSC.

PROJETO: AÇÃO DE UM BIOESTIMULANTE SOBRE PLANTAS ORNAMENTAIS E OLERÍCOLAS / COORDENADOR: Enio Luiz Pedrotti / enio.pedrotti@ufsc.br / UFSC / Departamento de Fitotecnia / CCA / 6 participantes

André Junior Ribeiro/Divulgação

* Esta reportagem faz parte da edição 15 da Revista da Fapeu que está disponível na íntegra para download em https://tinyurl.com/RevistaDaFapeu

CARREGANDO NOTICIAS