Equipe da UFSC faz radiografia da saúde dos docentes estaduais

2 de junho de 2026

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Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) concluiu em 2025 um estudo sobre os professores da rede estadual de educação, que resultou na elaboração da “Radiografia da saúde docente em Santa Catarina”. O diagnóstico, que começou a ser realizado em 2020, contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu fez a gestão do projeto, fez toda a parte de gerenciamento e prestação de contas. A parceria foi fundamental porque a Fapeu fez a gestão financeira e nos deu a tranquilidade e segurança em todos os passos da execução”, observou o professor Julian Borba, coordenador do trabalho.

Desenvolvida em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC), o objetivo da pesquisa foi compreender e aprofundar a realidade das condições de saúde dos educadores da rede estadual de ensino. A última etapa do estudo foi executada a partir de dezembro de 2024, e apresentação dos dados coletados ao longo dos últimos cinco anos ocorreu em 27 de junho, no auditório de pós-graduação do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFSC, em Florianópolis. “Foi uma série que começou lá em 2020, então foram cinco ondas de pesquisa ao longo dos últimos anos”, explicou na época do lançamento o professor Julian Borba.

O estudo inclui aspectos sobre a percepção do trabalho pelos docentes, seus hábitos e situação de saúde, com destaque para saúde mental, doenças crônicas e afastamentos do trabalho. Os dados coletados em todas as regiões catarinenses apontaram que mais de 60% dos professores relataram problemas de saúde mental, com ênfase para estresse (32%), ansiedade (39%) e depressão (afetando um terço da categoria). Além disso, 28% disseram já ter pensado em suicídio.

Os principais fatores levantados como causas para o adoecimento dos profissionais são a desvalorização moral do trabalho, o salário baixo, a insegurança contratual, o excesso de tarefas e a precariedade nas relações de trabalho. O estudo ainda pontou que, em Santa Catarina, 29,2% dos professores são efetivos; os demais (70,8%) são admitidos em caráter temporário (ACTs), fator que acentuaria o sentimento de instabilidade.

As doenças mais comuns entre os docentes catarinenses são transtornos mentais (62%), dores osteomusculares (41%) e problemas vocais (15%). O cansaço extremo e o desgaste físico e emocional são relatados por 83% da categoria. Além disso, 57% revelaram fazer uso de medicamentos controlados ou contínuos, e apenas 5% realizam exercícios para preservação das cordas vocais.

A pesquisa ainda apontou que 91% dos profissionais trabalham além da carga horária e mais da metade já se afastou do trabalho ao menos uma vez por ano. Oitenta e cinco por cento dos entrevistados relataram que já foram trabalhar doentes ou passando mal.

Violência

A pesquisa também revelou que 47% dos professores já testemunharam ou ficaram sabendo que algum colega professor sofreu agressão física, 73% relataram ter sido vítimas de assédio moral e 34%, de assédio sexual. Além disso, 56% têm medo de sofrer agressão física em seu local de trabalho, 68% temem ser assediados moralmente e 72% têm medo de não conseguir cumprir metas impostas.

“É urgente olhar para a saúde dos trabalhadores da educação. O adoecimento da categoria está diretamente ligado às condições de trabalho e à ausência de políticas de valorização e cuidado”, disse Katiane Golin, secretária de Saúde do Trabalhador do Sinte-SC, quando o trabalho foi lançado.

Além do coordenador Julian Borba, o projeto também contou com a participação dos professores Luís Felipe Guedes da Graça; da professora Cintia Pinheiro Ribeiro de Souza; dos doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política da UFSC, Lucas de Carvalho de Amorim e Gabriel Mendes; e dos graduandos do curso de Ciências Sociais da UFSC, Yara Firmino, Rebecca Pierre Tinoco, Matheus Mello e Julia Corrêa. O colaborador técnico e coordenador das pesquisas de campo foi José Roberto Paludo, assessor da Secretaria de Saúde do Sinte.

“Esse trabalho é o resultado de mais de cinco anos de trabalho numa ampla pesquisa inédita, com série histórica repetida junto aos docentes da rede estadual de Santa Catarina “, disse Paludo, após o lançamento do trabalho. A íntegra da “Radiografia da saúde docente em Santa Catarina” pode ser acessada em https://abre.ai/pesquisadesaudedocente.

 

PROJETO: SAÚDE DOCENTE DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE SANTA CATARINA / COORDENADOR: Julian Borba / julian@cfh.ufsc.brUFSC / Departamento de Sociologia e Ciências Sociais / CSO / 10 participantes

 

* Esta reportagem faz parte da Revista da Fapeu 16, disponivel na íntegra em https://fapeu.com.br/revistafapeu