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Publicado em 16/05/2020 à 03:05:45
Por: assessoria
Alimentação com mais saúde e qualidade
Pesquisa na UFSC avalia produtos agropecuários destinados ao desenvolvimento do cultivo sustentável de espécies aquáticas

Pesquisar produtos agropecuários potencialmente viáveis para uso na aquicultura, principalmente nas áreas de nutrição e sanidade das espécies aquáticas. Este é principal objetivo do projeto “Avaliação de insumos agropecuários para utilização na aquicultura sustentável”, desenvolvido pelo Núcleo de Patologia de Organismos Aquáticos do Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

“A crescente demanda mundial pelo consumo de proteínas de origem animal fez com que o consumo de peixes, crustáceos e outros organismos aquáticos aumentasse consideravelmente nos últimos anos. Consequentemente, despertou interesses e investimentos para o desenvolvimento da aquicultura. O setor hoje contribui diretamente para o crescimento econômico de diversas regiões do Brasil e no mundo, aumentando a oferta de empregos diretos e indiretos, que geram renda e prosperidade às comunidades envolvidas nesse processo”, explica o professor José Luiz Pedreira Mouriño, coordenador do projeto.

Iniciado em 2016, o trabalho tem gestão da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu é um elo forte entre os projetos e os setores que fomentam a pesquisa e a extensão universitária, contribuindo com o desenvolvimento institucional, científico e tecnológico do país”, ressalta o professor José Luiz Pedreira Mouriño, que coordena uma equipe de aproximadamente 20 pessoas, entre professores, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação de Aquicultura da UFSC.

Ambiente diferente

O Brasil, de acordo com dados de 2017, é o terceiro maior produtor aquícola das Américas, produzindo aproximadamente 692 mil toneladas. Somente a produção de tilápias corresponde a 51% do total de produção do setor no país. Santa Catarina é o terceiro maior produtor, com quase 40 mil toneladas. Tais números levaram o setor agropecuário a investir no desenvolvimento de novos produtos destinados à aquicultura. “Esses produtos vão desde ingredientes e aditivos para incorporação em rações, biopromotores de crescimento, probióticos e prebióticos até materiais para construção de unidades de cultivo, métodos de aeração, desinfetantes, entre outros”, relata o professor José Luiz Mouriño.

A maior parte dos produtos avaliados no projeto deriva da indústria avícola, suinocultura e fitoquímicos farmacológicos. Geralmente, esses produtos já possuem algum efeito benéfico conhecido sobre a fisiologia de aves, suínos ou humanos. Porém, precisam ser adaptados e testados para a aquicultura. “Uma vez que o ambiente aquático é dinâmico e muito diferente do habitat terrestre, buscamos de alguma maneira adaptar ou modificar a forma como esses produtos podem ser incorporados nas dietas os organismos-alvo da pesquisa”, ressalta o coordenador do projeto.

Entre os diversos produtos já testados estão cepas probióticas de Lactobacillus plantarum, cepas biorremediadoras de Bacillus licheniformis, cepas biopromotoras de Bacillus subtilis, prebióticos como parede de leveduras, extratos de plantas Silybum marianum, óleos essenciais, sais orgânicos e vacinas.

Sanidade

Além de produtos que atuam diretamente na fisiologia animal, o projeto, explica o professor, incorpora estratégias de manejos sanitários que envolvem a purificação e filtração de águas de cultivos. No Brasil estima-se que prejuízos diretos e indiretos ligados a questões sanitárias na piscicultura ficam próximos dos US$ 90 milhões ano.

Diante desse quadro, as pesquisas de cunho sanitário também tornaram-se indispensáveis e altamente impactantes para o segmento. “A aquicultura é vista como um mar de oportunidades. Esse fato desperta cada vez mais o interesse de grandes empresas. E, junto a isso, há uma necessidade do setor produtivo de prevenir, controlar e, se necessário, combater enfermidades nas criações”, observa o professor. 

As pesquisas visando à qualidade sanitária na produção de peixes em cativeiro incluem a dinâmica de biofiltros para tratamento de águas residuais, rações especiais, vacinas, aditivos alimentares, entre outros. “Os testes são colocados em prática por meio de experimentação in vivo e com diversas espécies de organismos aquáticos, todas em escala piloto, para obtenção de dados que possam elucidar muitas lacunas presentes na aquicultura”, explica o pesquisador. “O projeto avalia os mais diversos produtos e estratégias para manutenção sanitária de organismos aquáticos”, resume o professor Mouriño. Ou seja, se depender do trabalho dos pesquisadores da UFSC, a aquicultura brasileira vai, como diz o ditado popular, “nadar de braçadas e em mar de almirante”.

 

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