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Publicado em 10/02/2022 à 11:02:57
Por: Assessoria de Comunicação
Pesquisadores da UFSC integram projeto mundial de pesquisa do Atlântico
Estudo financiado pela União Europeia, AtlantEco envolve 36 instituições de países da Europa, do Brasil e da África do Sul

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está participando de um projeto internacional de pesquisa para explorar o Oceano Atlântico de ponta a ponta. Financiado pela União Europeia, o AtlantEco estuda os efeitos de mudanças climáticas e da poluição no microbioma do oceano e tem como missão desenvolver ferramentas de diagnóstico e métricas para avaliar e prever mudanças no Atlântico.

O projeto começou em 1º de setembro de 2020 e tinha data de término prevista para 31 de agosto de 2024. No entanto, deverá ser prorrogado por mais um ano devido às dificuldades decorrentes da pandemia da covid-19. O trabalho é desenvolvido na UFSC com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A atuação da Fapeu nos procedimentos administrativos é uma garantia de que os recursos financeiros serão utilizados dentro das legalidades contratuais, algo ainda mais complexo no nosso projeto por se tratar de um recurso da Comunidade Europeia. Os procedimentos administrativos variam de muito burocráticos a muito simples, mas garantem a transparência da utilização do recurso. Ter um gerente de projetos ágil e eficaz, que compreenda as necessidades do projeto, faz toda a diferença. Nesse sentido, nosso gerente de projetos da Fapeu, Juliano Boaventura, está desempenhando um excelente trabalho, contribuindo assim com o desenvolvimento e sucesso do projeto”, destaca a professora Andrea Santarosa Freire, coordenadora do projeto na UFSC.

O AtlantEco é realizado por meio de parceria de 36 instituições de 13 países, entre nações da Europa, do Brasil e da África do Sul. Conta também com parceiros de instituições dos Estados Unidos e da Argentina, e tem coordenação geral do pesquisador Daniele Iudicone, da Stazione Zoologica Anton Dohrn, de Nápoles, na Itália. “Esse projeto do microbioma do Atlântico vai estudar uma parte invisível dos oceanos. Essa parte invisível são os organismos microscópicos, desde um pequeno vírus, uma bactéria, um protista até animais um pouquinho maiores que chegam até o tamanho de uma medusa, de uma água viva. Todos esses seres vivos, a gente costuma chamar de plâncton. Quando a gente se refere à microbioma, a gente está querendo falar de todos esses seres vivos, a interação que eles têm entre eles e a interação que eles têm com as correntes marinhas e com os ciclos de nutrientes”, explica a professora Andrea Freire. No Brasil também estão envolvidas na iniciativa as universidades de São Paulo (USP), de São Carlos (UFSCar), da Bahia (UFBA) e do Rio Grande (Furg).

Popularização

Com uma forte vertente de extensão e popularização da ciência, o projeto foi implementado por meio da Declaração de Belém, assinada em julho de 2017 pela União Europeia, Brasil e África do Sul, com o objetivo de preencher lacunas de conhecimento entre as regiões amplamente estudadas do Atlântico Norte e as ainda pouco estudadas do Atlântico Sul. “Microbioma, plásticos, circulação oceânica e suas interações são os grandes pilares da pesquisa e divulgação científica do Projeto AtlantEco. Existe uma grande lacuna em nosso conhecimento sobre como eles afetam a biodiversidade, o funcionamento dos ecossistemas, a sensibilidade às mudanças climáticas e o potencial de uma exploração sustentável dos recursos naturais do Atlântico”, observam os pesquisadores da UFSC.

Devido à pandemia, os primeiros meses de trabalho global foram restritos a encontros virtuais entre os participantes. Mas no ano passado, o Veleiro Tara, da Fundação Tara Ocean, da França, iniciou os trabalhos de campo e de agosto a novembro percorreu toda a costa brasileira para a coleta de microbioma, microplásticos e dados oceanográficos. Todo o trajeto contou com a participação de pesquisadores brasileiros que puderam conhecer e desempenhar mais de 40 protocolos de coleta e manipulação de amostras a bordo.

Desafios

“Um dos desafios do AtlantEco será entender como o microbioma, poluentes, circulação oceânica e suas interações afetam o funcionamento dos ecossistemas, a biodiversidade e a sensibilidade às mudanças climáticas e, consequentemente, o potencial de uma exploração sustentável dos recursos naturais do Atlântico", explica a pesquisadora Andréa Green Koettker, integrante da equipe da UFSC. “Além disso, por meio dos eventos de divulgação, vai ampliar o conhecimento da população brasileira acerca da importância de um modo de vida sustentável para preservar a saúde dos oceanos e de todos os seres vivos que dependem dele, incluindo nós, seres humanos. Com um maior conhecimento e conscientização, conseguiremos preservar os serviços ecossistêmicos que o oceano nos proporciona diariamente”, acrescenta Andréa.

No começo de novembro de 2021, o Veleiro Tara encontrou-se na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, com o Veleiro ECO (Expedições Científicas Oceanográficas), primeiro veleiro de missões científicas do Brasil. O ECO surgiu na UFSC inspirado na embarcação francesa. Na capital fluminense, as equipes dos dois veleiros permaneceram de 7 a 11 de novembro. No período, o Veleiro ECO ficou aberto para visitação pública e para recepção de grupos escolares. Aproximadamente 400 crianças de escolas da região, além de cerca de 200 pessoas do público em geral puderam conhecer o Veleiro ECO e as exposições de microbioma e microplásticos do projeto AtlantEco e da Fundação Tara Ocean. A programação contou ainda com duas conferências voltadas para a sustentabilidade dos oceanos, uma no Museu do Amanhã e outra na BiblioMaison, no Consulado Geral da França no Rio. Nesta, a professora Andrea Freire falou sobre a relevância do Projeto AtlantEco e da importante contribuição do Veleiro ECO e das instituições brasileiras na Década do Oceano. Antes de atracar no Rio, o Veleiro Tara fez, em solo brasileiro, port calls, como são chamados os eventos científicos e voltados para a conscientização ambiental, ciência cidadã e promoção da cultura oceânica, em Belém (PA) e em Salvador (BA).

Itajaí

No dia 11 de novembro, os dois veleiros partiram em direção ao próximo port call, em Itajaí (SC). Após uma breve parada do Tara em Santos (SP), as embarcações se reencontraram na cidade do Litoral catarinense, onde ficaram atracados de 16 a 19 de novembro. “Foi um grande desafio a primeira expedição de longo percurso do Veleiro Eco, considerando que se trata da realização de testes importantes de navegabilidade, desempenho e segurança, além de comportamento e vivência a bordo, somando-se ao treinamento de práticas de protocolos de amostragem. Com tais experiências, o Veleiro Eco vai se aperfeiçoando com o objetivo de realizar uma experiência inédita na UFSC”, comentou o professor Orestes Alarcon, coordenador do projeto do veleiro, sobre a viagem até o Rio de Janeiro.

Na Marina Itajaí, uma extensa programação que incluiu palestras, mesas redondas, sessão de cinema, exposições, entre outros, foi realizada com a finalidade de promover a conscientização ambiental, especialmente com relação à saúde e à proteção dos oceanos. Durante os quatro dias, cerca de 500 pessoas passaram pelo evento, incluindo 240 alunos de escolas públicas de Itajaí.

Somente a conferência “Ecoando a Ciência no Atlântico”, realizada no Centreventos, em parceria com a Secretaria de Turismo de Itajaí, reuniu aproximadamente 100 pessoas que conferiram palestras sobre redes colaborativas para a pesquisa e sustentabilidade do Oceano Atlântico. De forma mais descontraída, a conferência do dia 18 “Velejando, entendendo e protegendo o Oceano”, reuniu diferentes pessoas e entidades apaixonadas pelo mar, como a equipe dos Veleiros Tara e ECO, David Schurmann, a Associação Náutica de Itajaí (ANI) e o casal de youtubers catarinenses Duca e Roberta, do canal Odd Life Crafting.

Desbravadores

Os eventos do Rio de Janeiro e, principalmente, o de Itajaí contaram com a relevante participação de estudantes de graduação e pós-graduação da UFSC e da Univali, que colaboraram de forma voluntária durante toda a programação. Itajaí foi a última parada do Veleiro Tara na expedição da costa brasileira. Escoltado carinhosamente pelo Veleiro ECO e uma pequena frota de embarcações locais, o Tara partiu no dia 19 de novembro rumo a Buenos Aires, na Argentina, com paradas para pesquisa durante o percurso.

Já para o ECO, os dois eventos foram apenas o início. Como parte da sequência do Projeto AtlantEco, o veleiro da UFSC volta a navegar em breve por boa parte da costa brasileira, com paradas em diferentes cidades para port calls e pesquisas científicas ao longo do percurso. “Os resultados das pesquisas ajudarão a entender o papel do microbioma no funcionamento dos ecossistemas marinhos e prever a capacidade do oceano de capturar e armazenar dióxido de carbono (CO2) atmosférico, transporte e riscos de poluentes, como plásticos e nutrientes, e o equilíbrio entre a saúde do ecossistema e as atividades humanas”, destaca a coordenadora do AtlantEco na UFSC, Andrea Freire. Diferentes das antigas expedições marítimas, os desbravadores do Atlântico do século 21 agora não partem em busca da descoberta de novas terras e riquezas. Agora o objetivo é a sobrevivência do oceano e do planeta.

PROJETO: ATLANTECO – AVALIAÇÃO, PREVISÃO E SUSTENTABILIDADE DOS ECOSSISTEMAS DO ATLÂNTICO / COORDENADORA: Andrea Santarosa Freire / andrea.freire@ufsc.br / UFSC / Departamento de Ecologia e Zoologia / CCB / 7 participantes

 

* Esta reportagem integra a edição número 13 da Revista da Fapeu que está disponível em https://abre.ai/revistadafapeu

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