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Publicado em 07/01/2022 à 01:01:38
Por: Assessoria de Comunicação
Um mutirão mundial por mais vida no Atlântico
Grupo de pesquisadores da UFSC participa do projeto AquaVitae que mobiliza 35 organizações das Américas, da Europa e da África

Um grupo de pesquisadores formado por professores, técnicos administrativos e acadêmicos de graduação e mestrado do Laboratório de Camarões Marinhos (LCM) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está participando de um projeto mundial para impulsionar a aquicultura sustentável no Oceano Atlântico. No total são 35 centros de pesquisas, universidades e indústrias das Américas do Sul e Norte, Europa e África, e o LCM é um deles.

O projeto AquaVitae começou em maio de 2019 e tem duração prevista de quatro anos e meio, portanto até o final de 2023. O objetivo é aumentar a produção de espécies de baixo nível trófico (relativo à alimentação) na aquicultura marítima dos países banhados pelo Atlântico. São espécies que pertencem a grupos de plantas ou animais mais baixos da cadeia alimentar, como macroalgas, ostras, mexilhões, ouriço-do-mar, pepino-do-mar, abalone e tambaqui. “Essas espécies podem ser cultivadas de diferentes formas para contribuir com o desperdício zero, incluindo a aquicultura multitrófica integrada, na qual os resíduos de uma espécie são usados como alimentos para outra”, explicaram os coordenadores internacionais do projeto em vídeo de apresentação no YouTube.

Pressão


Além disso, o AquaVitae tem a missão de prover alimentos seguros e saudáveis para as pessoas, melhorar ainda mais a produtividade, analisar a rentabilidade dos produtores aquícolas e oferecer aconselhamento sobre política e governança. “O Atlântico é um recurso alimentar compartilhado e vital para a economia dos países costeiros, mas o oceano está sob crescente pressão devido à superpopulação, mudanças climáticas, sobrepesca e necessidade de uma melhor segurança alimentar. A aquicultura é uma maneira eficaz para se produzir mais alimentos do oceano. Porém, para ser mais sustentável, a aquicultura deve se expandir para além das pisciculturas e incluir espécies de nível trófico baixo que possuem pequeno impacto ambiental”, conforme foi destacado no vídeo de apresentação.

O projeto recebeu financiamento do Programa de Pesquisa e Inovação Horizonte 2020 da União Europeia, é coordenado pelo Instituto de Norueguês de Pesquisas de Alimentos (Nofima), da Noruega, e, na UFSC, conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A gestão do projeto sem o auxílio de uma fundação como a Fapeu seria impraticável no momento. A Fapeu desempenha papel de vital importância ao projeto desde sua implementação, tramitação do projeto, passando por todas as compras e contratação de bolsistas até a prestação de contas. Este trabalho deve ser reconhecido e exaltado”, destaca Felipe do Nascimento Vieira, coordenador dos trabalhos.

Virtual

Os primeiros resultados foram apresentados entre 27 e 30 de março de 2020, quando pesquisadores e produtores do setor aquícola ao redor do mundo reuniram-se de forma on-line para compartilhar os resultados do primeiro ano do projeto e mais de 100 novos estudos para cadeias de valor da aquicultura foram apresentados. Os protótipos incluem desde novos métodos de produção de algas a novas combinações de Aquicultura Multitrófica Integrada (Amti). “Essas soluções serão desenvolvidas mais ainda ao longo do projeto, mas esse é um ponto de partida excelente,” disse, no encontro, Philip James, coordenador do AquaVitae e cientista sênior no centro de pesquisa norueguês Norwegian Institute of Food, Fisheries and Aquaculture Research (Nofima).

A UFSC coordena o subprojeto de Amti em bioflocos e tanques, que tem ainda participação da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Primar Aquicultura, primeira fazenda de aquacultura orgânica certificada do Brasil. A proposta é desenvolver um sistema integrando o cultivo do camarão-branco-do-pacífico (Litopenaeus vannamei), tainha (Mugil lisa) e macroalga (Ulva sp.).

Pandemia

Aquela reunião realizada on-line, em março de 2020, ocorreria originalmente em Florianópolis. Contudo, devido à pandemia do covid-19, os 80 participantes tiveram que se reunir virtualmente. A conferência durou três dias e incluiu um workshop com stakeholders brasileiros, cujo objetivo era apoiar um aumento nas colaborações de pesquisa entre Europa e Brasil. “Tivemos uma excelente discussão e destacamos tópicos importantes para serem tomados como base para desenvolver relações mais próximas entre as indústrias aquícolas do Brasil e da Europa,” disse Eric Routledge, chefe de Pesquisa na Embrapa Pesca e Aquicultura.


Entre os participantes, representantes da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), do Ministério da Agricultura, da Comissão Nacional de Agricultura, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e de produtores aquícolas. A partir da Europa, tomadores de decisão, membros do projeto e das plataformas DG Research and Innovation, European Aquaculture Technology and Innovation Platform (EATiP), AANChOR, BlueEco Net e Innovation Norway forneceram diferentes soluções para apoiar a colaboração transatlântica.

 

A reunião também contou com representantes do setor aquícola da África do Sul. “Ao longo dos próximos 24 meses, os protótipos serão avaliados quanto a sua capacidade de satisfazer as necessidades, demandas e segurança dos consumidores, além de critérios como sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica”, disse Philip James no encontro virtual.

 

Não imaginava ele, naquele momento do calendário (março de 2020), as adversidades impostas pela pandemia de covid-19 no mundo que à época estavam apenas começando. Depois que tudo isso passar, certamente novas descobertas surgirão para deixar o nosso Oceano Atlântico ainda mais sustentável e fornecendo ainda mais e melhores alimentos para a população mundial.

PROJETO: AQUAVITEA / COORDENADOR: Felipe do Nascimento Vieira / felipe.vieira@ufsc.br / UFSC / Departamento de Aquicultura / CCA / 16 participantes

 

Foto: Divulgação

 

Esta reportagem integra a edição número 13 da Revista da Fapeu que está disponível em http://www.fapeu.com.br/downloads/revista_da_fapeu_ano-xiii_numero_13.pdf

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