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Publicado em 01/10/2020 à 04:10:48
Por: assessoria
A qualidade da vida começa pela boca
Trabalho desenvolvido na UFSC com financiamento de organização suíça estuda estratégias inovadoras de recuperação do tecido ósseo bucal

Oferecer mais conforto bucal e qualidade de vida a pacientes com perda de tecido ósseo. Este é a missão do projeto “Estratégia de Engenharia de Tecido Ósseo Utilizando Células-Tronco Mesenquimais e Arcabouços de PLGA HA BTCP e Sinvastatina”, desenvolvido na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com financiamento da International Team for Implantology (ITI), organização suíça de renome mundial, que trabalha com pesquisa e ensino sobre implantes dentários. 


O desenvolvimento do projeto conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “Historicamente, a Fapeu é nossa parceira. A Fapeu tem a função de administrar a verba recebida pelo órgão financiador, neste caso, a ITI. Isto ocorre por meio da celebração de um contrato entre a UFSC e a fundação escolhida, o que viabiliza o acesso à verba e facilita a tramitação da compra dos equipamentos e demais materiais necessários para a realização do trabalho”, explica o professor Ricardo de Souza Magini, coordenador do projeto. 


O financiamento internacional foi aprovado no final de 2015 e já viabilizou a aquisição de equipamentos patrimoniados pela UFSC, bem como materiais que possibilitaram a realização de testes laboratoriais para a análises da diferenciação de células-tronco humanas. “O projeto avançou muito desde então, porém o uso clínico rotineiro de biomateriais exige estudos in vitro, in vivo e clínicos longitudinais prospectivos”, destaca o professor Ricardo Magini. 


O projeto é desenvolvido em parceria entre o Centro de Ensino e Pesquisa em Implantes Dentários (Cepid) do Departamento de Odontologia; o Laboratório de Virologia Aplicada (LVA) do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (MIP); e o Núcleo de Pesquisa em Materiais Cerâmicos e Compósitos (Cermat) do Departamento de Engenharia Mecânica. “Uma vez que a pesquisa é multicêntrica, são incontáveis os professores, pesquisadores e técnicos envolvidos no andamento do projeto, o que demonstra a união dentro da universidade”, observa o coordenador. Porém, além de Magini, estão mais diretamente envolvidos no trabalho os professores Mabel Cordeiro, Aguedo Aragones, Ariadne Cruz e César Benfatti e a doutoranda e mestre em implantodontia Mariane Sordi. 


Sinvastatina

Foco das pesquisas, o tecido ósseo é uma importante parte da cavidade bucal, sendo responsável por fixar a raiz do dente ao osso, protegendo e dando suporte a essa região. Se não for tratado, pode dar origem a cáries e à sensibilidade dentária, por exemplo. Além da perda de um dente junto ao tecido ósseo significar um incômodo estético ao indivíduo, a longo prazo a perda óssea excessiva resulta na perda do suporte dos lábios, dando a sensação de lábios murchos e causando o envelhecimento prematuro. 

O objetivo da equipe da Universidade Federal de Santa Catarina é desenvolver um biomaterial que possa ser utilizado como enxerto ósseo em indivíduos que perderam seus dentes e apresentam perda óssea muito avançada, viabilizando a regeneração deste tecido e, consequentemente, possibilitando a instalação de implantes dentários e reabilitação protética. “Estamos usando uma teia de engenharia residual que seria um arcabouço, no caso nosso com polímero PLGA em formato tridimensional, que é o que vai ser a base da reconstrução, a matriz. A esse arcabouço acrescentamos células e mediadores que estimulam ou a divisão ou a diferenciação pelo ar”, explica a doutoranda Mariane Sordi. 

O PLGA é considerado um polímero biocompatível e osteocondutor, que auxilia a formação óssea ao redor das suas características morfológicas e de porosidade. “Esse polímero tem uma capacidade bastante interessante que é de servir como um delivery de uma liberação lenta de fármacos”, observa a pesquisadora. 


Um dos diferenciais do projeto é a utilização da sinvastatina, um medicamento dentro da classe das estatinas. Quando utilizadas localmente, as estatinas têm a característica de induzir a diferenciação de células-tronco em osteoblastos, que é a célula que produz osso. “Estamos utilizando as células-tronco mesenquimal nesse trabalho pra ver se o arcabouço mais a estatina, no caso, a sinvastatina, estimulam essa diferenciação do osteoblasto”, conta Mariane. 


Redutora dos níveis de colesterol no sangue, hoje a sinvastatina é muito utilizada na medicina para reduzir os riscos à saúde decorrentes de doenças cardiovasculares, além de indicada para casos de diabetes ou para quem já sofreu derrame. Inúmeros estudos também já foram realizados aplicando a sinvastatina para a diferenciação de células-tronco, contudo a dose a ser aplicada é extremamente sensível. “Chegamos a uma dose que consideramos ideal e agora analisamos a dinâmica para liberação adequada, lenta e gradual dessa estatina”, observa a mestre em implantodontia e doutoranda. Mais um desafio está posto, e a odontologia e seus pacientes agradecem pelos resultados já alcançados. 


PROJETO: ESTRATÉGIA DE ENGENHARIA DE TECIDO ÓSSEO UTILIZANDO CÉLULAS-TRONCO MESENQUIMAIS E ARCABOUÇOS DE PLGA HA BTCP E SINVASTATINA / COORDENADOR: Ricardo de Souza Magini / ricardo. magini@gmail.com / UFSC / Departamento de Odontologia / CCS / 4 participantes

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