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Publicado em 13/07/2020 à 12:07:52
Por: Assessoria
Pela preservação da Dyckia ibiramensis
Estudo faz o monitoramento genético de bromélia rara, encontrada no Alto Vale do Itajaí e ameaçada de extinção

Monitorar a diversidade genética de uma espécie rara de bromélia para avaliar se as medidas de conservação estão sendo eficazes e se outras ações poderiam ser indicadas. Esta é a missão do projeto “Monitoramento da Diversidade Genética de População de Dyckia ibiramensis”, desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais (NPFT) do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O projeto tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu garante tranquilidade aos pesquisadores por cuidar de parte do gerenciamento dos recursos, do pagamento de bolsistas, da compra de reagentes e dos demais trâmites burocráticos”, destaca o professor Maurício Sedrez dos Reis, ex-coordenador do projeto e hoje aposentado.

O trabalho é um projeto de extensão que faz o monitoramento da diversidade genética de Dyckia ibiramensis, uma espécie de bromélia ameaçada de extinção e que possui ocorrência limitada a quatro quilômetros do Rio Itajaí do Norte, em Ibirama, no Alto Vale do Itajaí. E foi justamente na área de ocorrência da espécie que, em 2009, foi construída uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), inundando indivíduos e alterando o fluxo de água que passa pelos indivíduos remanescentes. “Por conta da espécie ser rara, estar ameaçada de extinção e estar sujeita a variações ambientais decorrentes da PCH, o estudo da diversidade genética é relevante para avaliar se a estratégias de conservação estão sendo eficazes, pois a diversidade genética é a base para a adaptação e evolução das espécies”, explica o professor Tiago Montagna, atual coordenador, que assumiu o projeto com a aposentadoria do professor Maurício no ano passado. Caracterizada como reófita, a Dyckia ibiramensis se estabelece em fendas nas rochas no leito do rio.

Alteração


Em 2008, antes da construção da PCH, o NPFT, também com apoio da Fapeu, realizou um estudo sobre diversidade genética, demografia e biologia reprodutiva da espécie que resultou na alteração do local da hidrelétrica. “Inicialmente, o projeto previa que o barramento da PCH seria construído um quilômetro a jusante de onde, de fato, foi edificado. Se o projeto inicial tivesse sido executado, aproximadamente 50% de todos os indivíduos da espécie seriam inundados, justamente os que portavam maiores índices de diversidade genética”, recorda Maurício dos Reis. Além disso, uma das condicionantes ambientais para a companhia Ibirama Energética instalar a PCH no local era a realização de monitoramentos periódicos da diversidade genética da espécie – o mais recente, e que deu origem ao projeto desenvolvido em parceria com a Fapeu, foi realizado em 2019.

O trabalho foi executado por três estudantes da graduação em Agronomia, um mestrando, um doutorando e um pós-doutorando em Recursos Genéticos Vegetais, além de dois professores do Departamento de Fitotecnia – todos da UFSC. Os estudos de campo e coletas de material vegetal foram realizados no Rio Itajaí do Norte, e a parte laboratorial e de análise de dados, no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, nas dependências do NPFT e do Laboratório de Fisiologia do Desenvolvimento e Genética Vegetal.

Resultado

A constatação do estudo é de que a situação ainda é de grande ameaça para a espécie. O número de 7.774 indivíduos remanescentes da construção da PCH em 2009 caiu para 3.066 indivíduos em 2015 por conta de uma enchente na região. “Este é um fator que gera preocupação, pois, junto com eles, foi perdida diversidade genética”, lamenta o professor Tiago Montagna. De 2015 para 2019, contudo, a espécie demonstrou capacidade de aumentar suas populações e o número total de indivíduos chegou a 3.422.

“É difícil acabar com a ameaça de extinção da espécie pela sua própria condição natural: rara e de ambiente inóspito. Alguns esforços, contudo, vêm sendo feitos e ajudam a entender melhor a ameaça e como amenizá-la”, diz o atual coordenador. Um deles, e considerado crucial, é o monitoramento genético e demográfico dos indivíduos. “Assim pode-se ter ideia de como as populações estão se comportando ao longo do tempo e como têm reagido aos distintos fatores de ameaça”, explica o professor.

Outra ação considerada fundamental seria o fomento a estratégias de conservação in situ (no local de ocorrência), como a criação de uma Unidade de Conservação que englobe a área de ocorrência da espécie e tentativas de reintrodução de indivíduos no próprio local de ocorrência. “Por fim, dado o grau de ameaça, estratégias de conservação ex situ (fora do local de ocorrência) precisam ser implementadas, tais como criação de viveiros de mudas da espécie, sua introdução em jardins botânico ou seu uso paisagístico como forma de conservação” afirma o professor Tiago. O desafio está posto, e a Dyckia ibiramensis pede socorro.

Projeto / MONITORAMENTO DA DIVERSIDADE GENÉTICA DE POPULAÇÕES DE DYCKIA IBIRAMENSIS
Coordenador / Tiago Montagna/ monttagna@gmail.com / UFSC / Departamento de Fitotecnia / CCA / Participantes: 8

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