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Publicado em 17/04/2020 à 10:04:49
Por: assessoria
Um profundo mergulho na Bacia de Campos
Em parceria com a Petrobras, equipe da UFSC faz o monitoramento sismológico e oceanográfico do Litoral do Sudeste brasileiro

Desde julho de 2019, o fundo do mar do Oceano Atlântico está sendo minuciosamente estudado em um projeto capitaneado por uma equipe da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Petrobras. O trabalho é realizado no Litoral da região Sudeste do Brasil, entre o Norte da Bacia de Santos e o Sul da Bacia do Espírito Santo, envolvendo toda a Bacia de Campos.

Intitulado "Monitoramento Sismológico e Oceanográfico de um Segmento na Margem Sudeste do Brasil: Norte da Bacia de Santos ao Sul da Bacia do Espírito Santo”, o projeto é financiado pela Petrobras, coordenado pelo Laboratório de Oceanografia Costeira da UFSC em parceria com o Observatório Nacional e conta com a colaboração de pesquisadores do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), da Geofísica da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT-SC). No total são 13 pessoas diretamente envolvidas.

Com apoio da equipe de trabalho, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) faz a gestão administrativa e financeira do projeto. “A Fapeu é responsável pela parte administrativa, burocrática, compras, prestação de contas, importação, entre outras ações”, cita o professor Antonio Henrique da Fontoura Klein, coordenador do projeto e que desde 2010 integra o quadro de professores da coordenadoria especial de Oceanografia do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas da UFSC. O projeto consiste no mapeamento de atividades sismológicas e oceanógrafas principalmente na região da Bacia de Campos, descoberta em 1974 e que hoje é um dos maiores complexos petrolíferos offshore (no mar) do mundo. O levantamento tem o objetivo de fornecer subsídios para o planejamento pela Petrobras de implantação de uma infraestrutura submarina.

Sismógrafos

Os dados estão sendo levantados por equipamentos tipo Ocean Bottom Seismometers (OBS), ou seja, sismógrafos de fundo de oceano. Em julho de 2019, a equipe do projeto fez, a bordo do Navio Oceanográfico Alpha Crucis, do Instituto Oceanográfica da USP, a instalações de seis OBSs no fundo do mar, entre 1,2 mil metros a 2,5 mil metros de profundidade.

Os equipamentos ficaram fundeados por quase 12 meses e a expectativa é de que ofereçam melhor compreensão dos “gatilhos” que podem ocasionar instabilidade no fundo marinho, originados por processos no assoalho oceânico. Simultaneamente foi instalado um Fundeio Oceanográfico, que, entre outras informações, buscará dados de corrente, temperaturas, salinidade, pressão, além da intensidade das correntes, amostragem de água de fundo e dados de velocidade do som em regiões pontuais. “Estes dados são de grande interesse para a indústria petrolífera”, ressalta o professor Antonio Klein.

A ancoragem dos seis OBSs representou, segundo o coordenador-geral do Observatório Nacional, Sérgio Luiz Fontes, uma das primeiras iniciativas de ampliação da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) em direção ao oceano profundo das bacias de Campos e de Santos. A RSBR é uma organização governamental responsável por monitorar as atividades sísmicas no território nacional.

Cronograma

No total serão quatro expedições: em julho de 2019; em fevereiro e junho de 2020; e uma, ainda a definir, a partir de novembro. Os Ocean Bottom Seismometers foram lançados em julho de 2019 e recuperados na expedição de junho de 2020, encerrada dia 21. O Fundeio Oceanográfico foi lançado em julho e recolhido e depois lançado em fevereiro e recolhido na operação de junho.

Na expedição de fevereiro foi feita uma manutenção de emergência no Fundeio Oceanográfico, após ficar cerca de 72 horas à deriva. Apesar do susto, a operação de resgate, com uso de rastreadores por satélite, foi realizada com tranquilidade e sucesso, relatou o professor Antonio Fernando Fetter Filho, da Oceanografia da UFSC, responsável pelo cruzeiro. Depois, em função da covid-19, a tripulação no navio oceanográfico foi reduzida para a operação realizada no período mais intenso da pandemia. A última expedição ocorrerá entre novembro de 2020 e março de 2021, quando dados de geofísica rasa e hidrografia serão coletados.

“Diante de todas as realizações e do espectro dos levantamentos que serão realizados, este projeto se mostra um marco na pesquisa científica marinha brasileira, não apenas pela quantidade de sismógrafos (OBSs) lançados pela primeira vez na margem continental do Brasil, mas principalmente pela interdisciplinaridade proposta, que permitirá a estudantes da área se aproximarem de uma visão holística da dinâmica da Terra e dos oceanos”, destaca o coordenador do projeto.


Fotos: Luiz Antônio Pereira de Souza/IPT SP

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