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Publicado em 12/04/2020 à 02:04:46
Por: assessoria
Um mutirão pela qualidade do Ensino Fundamental
Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa mobilizou e capacitou professores de séries iniciais de Santa Catarina ao longo de sete anos

Durante sete anos, de 2013 ao final de 2019, Santa Catarina viveu um grande mutirão pela melhoria da qualidade da alfabetização nos três primeiras anos do Ensino Fundamental. O projeto envolveu e capacitou em diferentes áreas do conhecimento educadores das séries iniciais de todas das regiões do Estado. E os resultados do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) ainda poderão ser observados por muitos e muitos anos.


Intitulado formalmente como Projeto de Formação Continuada de Professores Alfabetizadores no Âmbito do Pnaic, a ação foi desenvolvida em todo o país pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com universidades públicas e secretarias estaduais e municipais de Educação. Em Santa Catarina, o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Alfabetização e Ensino em Língua Portuguesa (Nepalp) do Centro de Ciências da Educação (CED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) executou o projeto, que teve a gestão administrativa e financeira realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).


“A Fapeu teve uma participação importante nesse processo, pois com seus profissionais e expertise, nos auxiliou no controle dos gastos. A Fapeu se configurou como uma boa parceria durante o desenvolvimento do projeto”, definiu o professor Everaldo Silveira, que foi um dos coordenadores do Pnaic em Santa Catarina, atuando na área de Matemática. A proposta básica do projeto era fortalecer o ensino de Língua Portuguesa e de Matemática das crianças de 6 a 8 anos, propondo novas metodologias de ensino para professores dessas disciplinas no 1º, 2º e 3º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas. E o objetivo, reduzir os índices de crianças que encerravam o período sem saber ler ou escrever. Pelo Censo de 2010 eram 570 mil em todo o país – 2,5% delas em Santa Catarina.

Adesão

Criado pela Portaria nº 867, de 4 de julho de 2012, pelo governo federal, em Santa Catarina o Pnaic começou oficialmente em 18 de fevereiro de 2013. Antes, 4 a 8 de fevereiro, foi realizada na UFSC a primeira capacitação de formadores. Nesses encontros foram estudados e discutidos os materiais sobre a formação, disponibilizados pelo MEC, e elaborado o planejamento para a primeira etapa de formação, que teve 40 horas de duração e foi realizada de 18 a 22 de fevereiro nos polos de Laguna, Fraiburgo e Treze Tílias. Balneário Camboriú, Itapema e São Carlos, no Oeste, do Estado, também foram polos de capacitação do Pnaic.

Mais de 290 municípios participaram do Pnaic no Estado. Para facilitar o deslocamento dos professores aos encontros de formação, os municípios participantes foram divididos em polos. A equipe da UFSC para o desenvolvimento da formação do Pnaic tinha a professora Nilcéa Lemos Pelandré, do Departamento de Metodologia de Ensino, como coordenadora-geral, e a professora Maria Aparecida Lapa de Aguiar, do Departamento de Estudos Especializados em Educação, na função de coordenadora pedagógica. No primeiro ano, as capacitações foram somente de Língua Portuguesa. Ao total estavam previstas 200 horas de formação, sempre presenciais. A partir de 2014, a Matemática também passou a fazer parte do programa. Nos anos seguintes entraram as demais disciplinas do currículo e, em 2017, estudos sobre educação infantil. O professor Everaldo Silveira passou a integrar o Pnaic em 2014, quando o conteúdo de Matemática foi incluído na grade.

A inclusão da Matemática visava a apresentá-la de uma forma mais abrangente, não apenas como uma matéria, mas como uma linguagem. “A partir desta perspectiva é importante ensinar a criança a raciocinar a matemática, não apenas decorar números e operações, mas compreender a relação que existe entre eles, dos conceitos, das quantidades e da matemática em situações significativas para vida. Além disso, ela está diretamente ligada a outras áreas, é necessário ensinar a desenvolver o raciocínio lógico, assim a criança aprende a pensar e facilita o aprendizado de forma geral”, explicou, à época, a professora Nilcea Lemos Pelandré.

Professores atuavam como
multiplicadores em suas escolas


A ideia do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) era uma capacitação em cascata, na qual educadores selecionados pela UFSC capacitavam nos cinco polos professores indicados pelas secretarias estaduais e municipais – e estes eram multiplicadores do conteúdo nos municípios ou microrregiões de origem. O conhecimento desenvolvido nos polos, a partir da interação com os formadores e com o material de formação, era levado de volta aos municípios de origem e, a partir daí, apresentado e rediscutido com os professores locais, chegando, finalmente, às crianças nas salas de aula.

“O objetivo maior é deixar algum planejamento orientador para que os professores possam usar na formação que vão desenvolver em suas bases. Queremos preparar esses professores nos campos da Língua Portuguesa e da Matemática para que eles possam continuar a formação em seus municípios. Penso que alcançamos nosso objetivo, pois tivemos muitos avanços e deixamos muitas questões para serem discutidas”, destacou a professora Vânia Terezinha Silva da Luz, coordenadora de gestão do Pnaic 2017/2018, em uma palestra em junho de 2018, em São Carlos.

Conteúdo

A partir dos materiais propostos pelo MEC, o conteúdo era previamente planejado e discutido para as formações regionais em seminários específicos desenvolvidos por formadores, supervisores e coordenadores gerais. Os formadores eram educadores que tinham pelo menos mestrado ou estavam cursando mestrado, alguns doutores ou cursando doutorado. Por ano, uma média de cerca de 7 mil professores de séries iniciais foram capacitados. “Os professores recebiam uma formação bastante substantiva e eles voltavam com planejamentos aos seus municípios e faziam formação lá durante um mês, um mês e meio. Planejavam formações para todo o período. “As formações sempre envolveram elementos teóricos e práticos. Esses elementos eram postos em prática em salas de aula”, lembra o professor Everaldo Silveira, coordenador na área da Matemática.


Para identificar a evolução dos alunos, professores respondiam questionários e orientações da equipe pedagógica da Secretaria de Educação. “O desafio foi grande e o dever foi cumprido. Observamos, pelos depoimentos dos orientadores, alfabetizadores, estudantes e pais, um grande envolvimento. Até os alunos dizem: a professora mudou””, disse a professora Nilcéa em homenagem prestada em 2016 pela UFSC. “A professora Nilcéa foi o cérebro que fez funcionar todo esse projeto. Considero-a uma pessoa realmente absolutamente incrível”, definiu o professor Everaldo.

Sementes plantadas
para o futuro

O Ministério da Educação (MEC) encerrou o projeto do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) em 2018, mas em Santa Catarina teve um “chorinho” e algumas formações ainda foram realizadas ao longo de 2019. No período de realização, o Pnaic plantou muitas sementes. Alguns resultados já são observados e outros ainda serão colhidos pelos próximos anos.
“Em Santa Catarina teve avanço em todos os níveis, não esperávamos tão rapidamente esses resultados. E uma coisa é certa: os professores que desenvolveram a formação do Pacto provavelmente não serão mais o que eram antes. Acredito que eles agregaram novos conhecimentos, aperfeiçoaram-se e, creio, dificilmente abandonarão essas novas experiências”, acredita o professor Everaldo Silveira, lembrando do envolvimento e das discussões pedagógicas dos professores durante as capacitações.

“O encantamento da descoberta, do saber e da identidade profissional nos cria expectativas desafiantes e instigantes em relação ao Pnaic. A ludicidade, tão esquecida nos anos iniciais, floresce em cada caderno de estudo, trazendo para a sala de aula a liberdade de tempo, de espaço e de criação do aluno, levando-o a se conectar com sua essência e espontaneidade”, testemunhou em 2016 a professora Mônica de Oliveira Bruno, da escola estadual Presidente Juscelino Kubitschek, em São José. 


Registros

A experiência do Pnaic em Santa Catarina ficou registrada em um livro de artigos e em cinco outras obras formadas por relatos de professores que participaram do projeto e das suas experiências com as crianças. As publicações estão disponíveis em formato digital no site oficial www.pnaic.ufsc.br e também foram impressas e distribuídas aos municípios, bem como enviadas para outros estados.
“Os resultados podem ser observados nas salas de aula, com crianças melhor alfabetizadas, chegando com conhecimentos mais desenvolvidos ao 4º ano. Leem melhor, bem como têm melhor compreensão do que leem e dos conhecimentos matemáticos que utilizam. Os resultados esperados para o projeto é que os professores que receberam formação continuem planejando e desenvolvendo suas aulas, seguindo aquilo que desenvolveram nas formações para que as crianças acessem conhecimentos diferenciados, e consigam aperfeiçoar suas leituras de mundo”, observa o professor Everaldo.


A realização do Pnaic em Santa Catarina também rende até hoje uma série de trabalhos de conclusão de curso (TCCs), dissertações de mestrado e teses de doutorado. Uma delas, a dissertação em Educação Científica e Tecnológica da professora Daniela Guse Weber apresentada em 2018, na UFSC, com o título “Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: contribuições à prática pedagógica de professores que ensinam matemática em classes de alfabetização”. “Os resultados indicam que os professores participantes [...] afirmam que a formação do Pnaic – Alfabetização Matemática contribuiu para a compreensão de conceitos matemáticos, ampliação de conhecimentos sobre práticas de ensino com a utilização de materiais manipuláveis e atividades lúdicas e, ainda, reflexão sobre a forma de planejar, adquirindo clareza sobre a intencionalidade pedagógica de cada atividade de ensino”, diz determinado trecho do trabalho.


Ainda que tenha enfrentado adversidades e deixado questões a discutir, o programa, diz hoje a professora Nilcea, cumpriu seu objetivo em Santa Catarina e no país. “Principalmente no sentido de formar uma rede de discussão e formação nacionais sobre o tema alfabetização e possibilitar a integração dos municípios em torno do objetivo maior, que foi destacar a importância da alfabetização com letramento de todas as crianças no país”, acrescenta.


Conheça mais sobre Pnaic em https://pnaic.ufsc.br/

 

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